27 de Março de 2006

Medidas operacionais para melhoria de qualidade na industrialização de gelados comestíveis

Publicado por Marcus Lima em Gelados Comestíveis

Marcus Lima *

O processamento industrial de gelados comestíveis é composto de uma série de etapas, todas com elevada importância para obtenção de um produto final de qualidade. Estas etapas envolvem aquecimento e resfriamento de massas relativamente grandes e processos de bombeamento de fluidos viscosos, que despendem grandes quantidades de energia e são custosos para a indústria. O controle de parâmetros de produção e a adoção de certas precauções nesses processos auxiliam a atender tanto a necessidade de controlar a qualidade quanto à necessidade de racionalizar o processo de produção.

ELABORAÇÃO E PASTEURIZAÇÃO DE MISTURAS

Mistura e Pasteurização

A Mistura consiste em acrescentar os sólidos ao meio líquido, com o intuito de obter uma mistura líquida e homogênea, e é feita em paralelo com o aquecimento da pasteurização. Tem a função de completar a hidratação dos sólidos e principalmente dos estabilizantes. A pasteurização de calda é um tratamento térmico que consiste em elevar a temperatura de calda e reduzi-la rapidamente. Tem o objetivo de eliminar os microorganismos patogênicos (causadores de doenças) e reduzir a contagem total de microorganismos à níveis seguros. No Brasil, a pasteurização de gelados comestíveis a base de leite tornou-se obrigatória a partir da instituição da Portaria n. 267 de 2003, que estabelece dois processos: para o processo em batelada (pasteurização com aquecimento em tanques) a temperatura é de 70º C por 30 minutos com resfriamento a 4º C. Para equipamentos com pasteurização contínua a temperatura é de 80º C por 25 segundos. O uso de leites processados (em pó, leite pasteurizado ou leite UHT) é obrigatório e não elimina a necessidade de pasteurizar a calda de gelados comestíveis. A pasteurização de calda traz benefícios para a qualidade do gelado comestível, como: melhor mistura dos ingredientes, com benefícios para dissolução dos pós; ativação de emulsificantes e de alguns hidrocolóides. Na pasteurização é importante observar:

A ordem de adição dos ingredientes: o meio líquido é adicionado primeiro. Recomenda-se que a ordem de adição comece dos ingredientes menos solúveis para os mais solúveis:

o Leite em pó e derivados lácteos,
o Xarope de glicose em pó, (Xarope líquido deve ser adicionado às temperaturas altas),
o Estabilizantes: recomenda-se a pré-misturas dos estabilizantes em açúcar, pois esta previne a aglomeração dos grânulos de estabilizante e melhora sua dispersão e hidratação. A água do tanque não deve exceder a temperatura de 45o C, pois isso pode promover o encapsulamento (formação de uma película vítrea em volta dos grânulos, impedindo a hidratação dos estabilizantes),
o Açúcar,
o Gordura vegetal hidrogenada e Manteiga: recomenda-se que sejam fracionadas em pequenos pedaços antes de adição ao tanque, e que sejam adicionadas quando a temperatura do tanque for de cerca de 50o C. Em especial em relação à manteiga não deve ser posta congelada em tanques, pois a resistência mecânica pode promover o desgaste dos motores dos agitadores dos tanques.

HOMOGENEIZAÇÃO

O homogeneizador é uma bomba tipo êmbolo. A calda é impulsionada por um cilindro, passando através de um orifício pequeno. O aumento da pressão, exercido pela passagem em alta velocidade da calda por uma área pequena produz a redução de tamanho os glóbulos de gordura. A homogeneização melhora a incorporação de ar, possibilitando mais incorporação de ar no produto final e que o ar seja incorporado em mais células de tamanho menor, o que favorece uma melhor aparência, textura e corpo no produto final. A homogeneização também promove uma maior estabilidade da emulsão de gordura e água presente no gelado comestível. Alguns parâmetros importantes:

o A temperatura de homogeneização deve ser igual ou superior a 65 C. Homogeneização feita a frio possui em efeito similar ao da falta de homogeneização, pois não há a redução da dimensão dos glóbulos de gordura,
o Deve ser respeitada a pressão de homogeneização. Quanto maior o teor de gordura menor deve ser a pressão empregada: em uma mistura com 14% de gordura devem se utilizar pressões entre 1500- 1800 psi; enquanto em um teor de gordura de 8% se recomendam pressões entre 2300- 2500 psi,
o Entre o pasteurizador e o homogeneizador deve existir um filtro para retenção de partículas sólidas, estas poderiam promover danos aos pistões do homogeneizador,
o O processo de homogeneização depende entre outras: de que as vedações e anéis do pistão e válvula de entrada e saída estejam em bom estado, sem desgastes (ranhuras, riscos). Vedações e válvulas gastas podem gerar ineficiência de homogeneização.

MATURAÇÃO

A etapa de maturação corresponde a manutenção da calda a temperaturas de 4 C sob agitação, durante um período de tempo (usualmente entre 4 e 24 horas). Os efeitos positivos da maturação são de dois tipos: os relacionados à gordura da calda e os relacionados aos estabilizantes.

Com relação às gorduras, a baixa temperatura utilizada promove a cristalização das gorduras e adsorção das proteínas do leite sob sua superfície. A partir desta modificação obtida pelo uso do frio, obtém-se um produto final com corpo e texturas superiores e com maior capacidade de aeração (mantendo uma aparência melhor, com células de ar menores). Com relação aos estabilizantes, a manutenção da calda por um período em agitação promove sua melhor hidratação, potencializando os efeitos de resistência ao derretimento e choque térmico, e melhoria de corpo e textura.
Alguns pontos importantes a observar na maturação:

o É importante a correta escolha do estabilizante, para evitar a formação excessiva de espuma. Esta espuma pode prejudicar na homogeneidade após a adição de aromas e corantes, além de prejudicar no rendimento: a espuma dificulta o bombeamento para a produtora, gerando uma perda de calda maior que o necessário no final da produção,
o Temperaturas inferiores a 4 C podem ser utilizadas, reduzindo-se desta maneira o tempo necessário de maturação. Estas temperaturas inferiores são inclusive benéficas, dentro de certo limite, para a passagem nas produtoras de gelado comestível, pois aceleram o congelamento de calda,
o É importante observar que a agitação não seja excessiva e em velocidade muita alta, o que pode favorecer a formação de espuma,
o A adição, nesta fase, de gelado comestível recém produzido deve ser evitada. Entre outros, o uso de gelado comestível recém produzido promove a formação de espuma e pode, em função das baixas temperaturas do tanque de maturação, promover a falta de homogeneidade (pois o gelado comestível não derrete facilmente) ou o aumento da viscosidade, prejudicando as características de bombeamento de caldas,

AROMATIZAÇÃO

Esta etapa consiste na adição de aromas, corantes, polpas de fruta etc. ao gelado comestível.

o Com relação à homogeneização de aromas e corantes, é recomendável que se retire uma fração da calda do tanque de maturação e se utiliza um misturador de maior potência. Isto porque pode não haver agitação no tanque de maturação suficientemente veloz para promover uma correta mistura de aromas e corantes à calda,
o Ainda sobre aromas, uma armazenagem incorreta, que exponha o produto a temperaturas excessivas, correntes de ar ou luz; que o coloque em embalagens que não estejam corretamente fechadas, reduz de maneira significativa o seu funcionamento,
o Com relação adição de polpas de fruta, deve-se observar a incorporação à calda de sucos ou pastas concentradas fluidas. Isto facilita a mistura à calda. Deve-se também observar que sejam isentas de sementes, fibrosidades de grandes dimensões (como “fiapos” de manga) ou outras substâncias que possam obstruir o sistema de incorporação de ar das produtoras ou precipitar no tanque de maturação. Peneirar a polpa ou suco antes de adicioná-lo é uma boa medida para evitar estes riscos,
o Quando da adição de ácido cítrico a calda, recomenda-se a sua mistura a água, na proporção de 1:1. Desta maneira sua dispersão na calda é melhorada,

PRODUÇÃO

A calda de gelado comestível é congelada com agitação e injeção de ar, na produtora. Nesta fase ocorre a incorporação de ar e o congelamento de parte da água presente na calda, o que pode chegar à cerca de 50% do total de água do produto. Do ponto de vista de qualidade, quanto maior o teor de água congelado na produtora melhor será a qualidade do produto acabado, no entanto é importante observar que este congelamento interfere na capacidade de tomar a forma da embalagem que o gelado comestível possuirá: um aumento excessivo da consistência em função do alto teor de água congelada pode dificultar o envase do produto, que não se molda e deixa pequenos espaços não preenchidos na embalagem. É importante equilibrar facilidade de embalagem e teor de água congelada. Algumas medidas importantes em produção de gelados comestíveis:
o A temperatura de entrada de calda na produtora influi diretamente na velocidade e qualidade de produção. Quanto menor a temperatura de entrada, maior será a velocidade de produção. Vale lembrar que isto é válido até um limite, pois temperaturas excessivamente baixas aumentam a viscosidade dificultando o bombeamento de calda, e podem congelar mais rapidamente do que a capacidade da bomba de saída, ocorrendo o travamento do motor do batedor, que não gira em função do excesso de consistência,
o As facas e o cilindro devem estar em perfeito estado. O gelado comestível é congelado pelo contato com o cilindro. Os cristais de gelo formados são longos e em forma de ramos, conhecidos como dentritos. Estes dentritos são quebrados em vários pequenos cristais pela ação das facas, sob estes pequenos cristais se cristalizará o restante da água na armazenagem do produto. O estado de conservação das facas é fundamental para obter cristais pequenos, que darão uma textura suave ao produto final. Facas gastas podem gerar um produto final com textura grosseira, cristalizada,
o O controle da temperatura do gelado comestível na saída da produtora é fundamental. Para gelado comestível a base de leite, com uma formulação contendo 16 % de açúcares, 8% de gorduras, 10% de SNGL e 34% de sólidos totais é recomendada uma temperatura inferior à – 5o C. Para os estabelecimentos produtores que não possuem termômetros, uma medida indireta do nível de congelamento do gelado comestível é a amperagem do batedor, que é normalmente indicada em um painel do equipamento. Quanto mais congelado estiver o produto, mais resistência oferecerá ao giro do batedor, fazendo aumentar a corrente elétrica no motor e, portanto sua amperagem. Esta medida, se utilizada, deve ser definida para cada tipo de calda,
o A regulagem da quantidade de ar deve ser feita no início da produção. Sugere-se que as produções iniciem por embalagens de dimensões maiores, como 10 litros, o que fornece mais tempo para o ajuste de peso. É importante observar que, a redução da quantidade de calda no tanque de maturação interfere nas características de incorporação de ar, sendo um ponto a observar durante a produção. O peso deve ser monitorado ao longo da produção,
o Na produção de sorbets e sherbts, produtos a base de fruta e com teor normalmente baixo de gorduras e proteínas, é comum o aparecimento de células de ar grandes. Nesses produtos recomenda-se menor incorporação de ar. Uma medida para melhorar a aparência do produto é aumentar a temperatura de saída da produtora, o que torna o produto menos consistente, e com aparência mais lisa,
o Na produção de gelados comestíveis com misturas de inclusões (castanhas e xaropes) utilizando alimentadoras (equipamentos automáticos de mistura de sólidos) recomenda-se que a temperatura de extração da produtora seja a menor possível e que se aumente a incorporação de ar. Isto porque, na passagem pela alimentadora o produto se aquece levemente, e pela agitação feita para incorporar os sólidos, perde ar. Para a produção de gelado comestível com mistura de xaropes líquidos é importante o nível de congelamento, pois auxilia a resistência à migração do xarope, que poderia manchar o gelado comestível,
o A utilização, para lacrar a embalagem, de lacres termoencolhíveis, e também o uso de películas para agrupamento de embalagens unitárias; pelo sistema de túnel de encolhimento por ar quente, é extremamente danoso para o gelado comestível. O aquecimento das embalagens provoca o derretimento dos cristais de gelo, promovendo sua recristalização em cristais de gelo de tamanho maior.

ARMAZENAMENTO

O armazenamento de gelados comestíveis é feito em câmara-fria. A legislação à respeito, a portaria N. 267 de 2003, determina que a temperatura mínima de armazenamento do gelado comestível seja se -18 C.
No armazenamento, é congelada ainda grande quantidade de água do gelado comestível. À temperatura de -25 C aproximadamente 90% da água de uma sorvete com formulação de 8% de gordura, 10% de SNGL, 16 % de açúcares e 34 % de sólidos totais estará congelada.
o A armazenagem deve ser feita rapidamente, evitando que o gelado comestível fique por grande período dentro da área de produção depois de produzido. É recomendável a utilização do túnel de congelamento, normalmente uma seção da câmara fria com temperatura inferior ( por exemplo, -40o C), onde o congelamento final ocorre em um tempo menor, promovendo a formação de cristais de gelos menores,
o A disposição dos produtos deve favorecer o fluxo do ar frio. É recomendável que os produtos sejam armazenados em paletes utilizando-se de arranjos que deixem vão livre entre as embalagens, pois apesar de ocupar mais espaço, este tipo de armazenagem favorece a circulação de ar e evita que gelados comestíveis armazenados no centro de paletes recebam menos ar frio,
o Embalagem de embarque para potes, picolés e monoporções podem receber orifícios, o que aumenta o contato do ar frio com os produtos,
o Nos produtos envasados em caixas de 10 litros revestidas com filme plástico, o nível de congelamento do produto e sua consistência são fatores importantes para a resistência mecânica da embalagem,
o Deve-se monitorar constantemente a temperatura de armazenagem,
o A utilização de cortinas de ar na porta das câmaras frias é uma forma de evitar, quando de sua abertura, a perda de ar frio para o ambiente. É extremamente útil, pois reduz as flutuações de temperatura que poderiam provocar danos a textura dos gelados comestíveis armazenados,

CONCLUSÃO

Existem vários parâmetros no processo de industrialização de gelados comestíveis que são fundamentais para obter produtos de boa qualidade. Tempos e temperaturas de pasteurização, resfriamento de calda, pressão de homogeneização, tempos e temperaturas de maturação, pesos, temperatura de extração da produtora, temperatura de armazenagem e manipulação da câmara-fria; todos estes parâmetros interferem maciçamente na qualidade do produto final. É importante que cada empresa especifique e monitore continuamente esses parâmetros. O estudo dos registros dos controles de processo auxilia a entender e localizar novas fontes de desvio, aprimorando o processo e a qualidade do produto.

* Marcus Lima, assistente técnico da Genkor Ingredientes Ltda

Para maiores informações

www.totalfood.com.br

5 de Março de 2006

Panorama da segurança de alimentos no Brasil e no mundo.

Publicado por Edson Gonçalo em Sistemas de Gestão

Por Edson Gonçalo*

Com a globalização e a troca cada vez mais comum de informações, os consumidores estão se tornando mais exigentes com a qualidade dos produtos que adquirem. Para atender estas exigências, as empresas estão sentindo a necessidade de adotar sistemas para melhor dirigir e controlar uma organização no que diz respeito à qualidade, tanto de seus produtos quanto ao seu impacto no meio ambiente e na sociedade. No setor de alimentos isto não é diferente. A cada dia que passa, novas normas e padrões surgem para estabelecer os parâmetros de qualidade exigidos pelo mercado.

Quando falamos em segurança alimentar, não nos referimos apenas ao aspecto quantitativo, abordando a disponibilidade de alimentos para a população, mas também no aspecto qualitativo focando, principalmente, a preservação da saúde do consumidor. Este fato está caracterizado nos três principais elos da cadeia alimentar que envolvem os segmentos de campo, de indústria e de bares, hotéis, restaurantes, cozinha industriais e similares, que podemos chamar de segmento de mesa.

No segmento de campo, dissemina-se cada vez mais a necessidade de desenvolver as Boas Práticas Agropecuárias, que abordam não só a questão da preservação da saúde do consumidor — na busca de se evitar as contaminações químicas, físicas e microbiológicas dos alimentos —, mas também aspectos que envolvem os prejuízos ao meio ambiente e de responsabilidade social como mão-de-obra escrava e infantil. Vários programas que visam disseminar a adoção das Boas Práticas Agropecuárias são desenvolvidos no Brasil e no mundo, entre eles o Programa Integrado de Frutas (PIF), no Brasil, e o EUREPGAP, desenvolvido internacionalmente.

O EUREPGAP é uma instituição criada por varejistas europeus, que mais tarde contou com a parceria de produtores agrícolas da Europa, cuja filosofia é assegurar uma agricultura que se desenvolva de um modo responsável respeitando a segurança dos alimentos e visando a preservação da saúde do consumidor, a preservação do meio-ambiente e o bem-estar dos trabalhadores e dos animais.

A instituição foi criada em 1997 com os protocolos para os produtores de frutas e flores e em 2004 foram lançados os protocolos para os produtores de grãos, de carnes bovinas e de ovinos, de aves, de laticínios (protocolos IFA — Integrated Farm Assurance), de café e de aqüicultura.

No segmento industrial brasileiro, o fato mais importante foi o lançamento da norma NBR 14900 no ano de 2002, que aborda o sistema de gestão da análise de perigos e pontos críticos de controle — APPCC/HACCP. Esse sistema garante o controle dos processos de produção e processamento de alimentos de forma a se evitar contaminações biológicas, químicas e físicas em níveis intoleráveis para a saúde dos consumidores.

Mundialmente, o destaque foi o lançamento, em 1º de setembro de 2005, da ISO 22000 – Sistema de gestão da segurança de alimentos - Requisitos para qualquer organização da cadeia produtiva de alimentos. Esta norma tem os mesmos propósitos da NBR 14900:2002 e tem a intenção de harmonizar as normas internacionais que tratam da segurança de alimentos.

A norma é constituída por três partes:

* Requisitos para boas práticas de fabricação ou programas de pré-requisitos do Sistema APPCC/HACCP;

* Requisitos para o APPCC/HACCP de acordo com os princípios do APPCC/HACCP do Codex Alimentarius;

* Requisitos para um sistema de gestão.

Os requisitos para boas práticas de fabricação não são listados diretamente na norma, mas são referenciados através dos programas de pré-requisitos do Sistema APPCC/HACCP.

O formato da norma é o mesmo da ISO 9001 e ISO 14001, o que permite a sua integração com um sistema integrado desenvolvido para gestão de perigos.

A ISO 22000:2005 é a primeira em uma família de normas que incluem os seguintes documentos:

ISO/TS 22004 – Sistemas de gestão da segurança de alimentos – Guia para a aplicação da ISO 22000:2005, publicada em novembro de 2005. Esta norma fornece um importante guia para orientar as organizações da cadeia produtiva de alimentos de todo o mundo, incluindo as pequenas e médias empresas, na implantação da ISO 22000:2005.

ISO/TS 22003 – Sistemas de gestão da segurança de alimentos – Requisitos para organismos que oferecem auditoria e certificação de sistemas de gestão da segurança de alimentos. Esta norma é um guia para a acreditação (aprovação) dos organismos para certificação da ISO 22000 e define as regras para auditar um sistema de gestão da segurança de alimentos em conformidade com a norma ISO 22000. Esta norma será publicada no primeiro trimestre de 2006.

ISO/22005 – Rastreabilidade na cadeia de alimentação animal e humana. Princípios gerais e guia para delineamento e desenvolvimento do sistema. Será brevemente circulada como uma versão preliminar (draft).

Outros fatos importantes a serem destacados são os regulamentos europeus que tratam da segurança alimentar, dentre eles:

  • Regulamento (CE) n° 178/2002 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 28 de janeiro de 2002, que determina os princípios e normas gerais da legislação alimentar, cria a Autoridade Européia para a Segurança dos Alimentos e estabelece procedimentos em matéria de segurança dos gêneros alimentícios;

  • Regulamento (CE) nº 852/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de abril de 2004, relativo à higiene dos gêneros alimentícios em geral.

  • Regulamento (CE) n.o 853/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de Abril de 2004 que estabelece regras especificas de higiene aplicáveis aos gêneros alimentícios de origem animal.
  • Regulamento (CE) n.o 854/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de Abril de 2004 que estabelece regras especificas de organização dos controles oficiais de produtos de origem animal destinados ao consumo humano.

O Regulamento (CE) n° 178/2002 entrou em vigor em 1º de janeiro de 2005 e os demais entraram em vigor em 1º janeiro de 2006. Estes regulamentos, somados à ISO 22000, trarão grandes transformações no mercado internacional de alimentos, pois torna obrigatória a adoção dos princípios das Boas Práticas, sejam elas Agropecuárias ou de Fabricação, e do Sistema, para as empresas alimentícias que queiram comercializar os seus produtos de forma a preservar a saúde dos consumidores.

No segmento mesa, o fato mais importante é a entrada em vigor do Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, aprovado pela resolução RDC nº 216, de 15 de setembro de 2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Este regulamento abrange os procedimentos que devem ser adotados nos serviços de alimentação a fim de garantir condições higiênico-sanitárias do alimento preparado. Caso essas regras forem descumpridas multas poderão ser geradas nos valores de dois mil a um milhão e meio de reais.

Como se pode ver, a preocupação com qualidade dos alimentos é cada vez mais crescente e as empresas que queiram obter sucesso no mercado de alimentos, deverão dedicar cada vez mais esforços para se adequarem aos padrões estabelecidos pelos mercados nacional e internacional.

(*) Engº Agrônomo e Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos, Consultor da Área de Alimentos e Bebidas da InterAction-Plexus.