Um próspero sustentável ano de 2008.
Setor espera fechar o ano com faturamente 6% maior
Ana EhlertJonas Oliveira
Verão é tempo de curtir o sol e, também, se refrescar. O sorvete, que também alimenta, é uma das sobremesas preferidas nesta época do ano para combater o calor — 70% dos 505 milhões de litros produzidos no País são consumidos entre setembro e março. O Paraná está entre os quatro estados brasileiros que mais consomem e produzem sorvetes, segundo o vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes (Abis), Hélio Granotto Viero. “Mas não temos números exatos do setor devido a informalidade e também ao fato de que as indústrias do Estado são de médio para pequeno porte”, explica.
Ficam à frente São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. “Embora a associação não trabalhe com números regionais essa é mais ou menos a divisão”, afirma Granotto. O presidente da Abis, Eduardo Weisberg, ressalta que 30% da produção nacional de sorvetes ficam em São Paulo e as regiões Sul e Sudeste, respondem por 60% do consumo nacional do produto.
Apesar do clima andar, digamos, um pouco bagunçado, a previsão para este ano é de fechar o ano com um mercado 15% maior e um faturamento de R$ 806 milhões — 6% acima do contabilizado no ano passado. No Paraná, a produção e o consumo de sorvete acompanham a indústria nacional do produto, segundo Granotto Viero, dono da fábrica de sorvetes Granotto, umas das maiores do Estado.
Uma das mais tradicionais sorveterias de Curitiba, a Sorveteria do Gaúcho, aberta desde 1954, mantém seus clientes pela conservação dos sabores. Segundo Leila S. dos Santos, que administra a sorveteria fundada pelos pais, a venda para este ano será boa e deve crescer em torno de 20 a 30%, mas ela lamenta a mudança de alguns clientes.
Ao contrário do que é comum nas escolas de samba, a Águia de Ouro dá ao seu público o poder de decisão sobre a música que marcará o ritmo do desfile no Anhembi. O presidente Sidnei Carriuolo garante: não conhece outra agremiação em todo o Brasil que seja tão democrática nesse quesito.
Em geral, uma comissão interna, baseada em critérios como adequação ao tema proposto e aceitação do público nos ensaios, avalia o samba-enredo das escolas e determina sua aprovação.
Na Águia de Ouro, porém, a escolha é da própria comunidade: aqueles que freqüentam a quadra da Águia de Ouro participam de votações etapa a etapa, durante três meses, até que se decida qual é a melhor proposta. Neste ano, por exemplo, seis sambas disputaram a preferência popular a partir do enredo “A taça da felicidade – Uma viagem pelos sentidos às delícias do sorvete”.
Venceu a parceria que, sob o comando de Márcio Pessi, Dadô, Serginho do Porto e Ronaldinho, possuía o samba com refrão mais empolgante, de acordo com o público dos ensaios. Foram mais de mil pessoas em votação todos os domingos.
“A união é o segredo. Levamos para a Avenida aquilo que a comunidade quer”, ensina Serginho do Porto. “Aqui, ninguém reclama do samba que está sendo cantado”, completa Márcio Pessi.
O governo lançou um canal de comunicação com a população para o acesso a informações sobre a qualidade do leite produzido e comercializado no País. O Centro Integrado de Monitoramento da Qualidade do Leite (CQuali-Leite), que deve estar funcionando a partir do primeiro trimestre de 2008, funcionará no formato de site na Internet.
Há cerca de dois meses, a Polícia Federal desmantelou uma quadrilha suspeita de adicionar soda cáustica e água oxigenada ao leite. Várias cooperativas mineiras estariam envolvidas na fraude.
“O CQuali será um banco de dados sobre a inspeção e fiscalização da produção, industrialização e comercialização de leite tipos UHT, pasteurizado e em pó, incluindo resultados de análises laboratoriais e de verificação de rotulagem”, explicou a gerente-geral de Alimentos da Anvisa, Denise Resende.
A rede atuará em dois níveis. No primeiro, a Anvisa, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, e o Ministério da Agricultura trocarão informações relativas ao âmbito de atuação de cada um deles em todo o País. No segundo nível, o CQuali-Leite fornecerá ao consumidor informações sobre o acompanhamento da qualidade do leite.
Para a representante do DPDC, Laura Mendes, “o CQuali será mais um importante instrumento à defesa do consumidor, que é a parte mais vulnerável de todo o processo”.
Segundo ela, os Procons dos Estados já estão demonstrando interesse em atuar articuladamente com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. A idéia é que os Procons tenham mais subsídios para autuar as empresas que produzirem ou industrializarem leite em desacordo com a legislação.
O encontro que decidiu a criação do Centro foi realizado no Instituto Nacional de Controle e Qualidade em Saúde (INCQS), no Rio de Janeiro, nos últimos dias 12 e 13. Também participaram da reunião, técnicos dos laboratórios centrais (Lacens) e das Vigilâncias Sanitárias estaduais, além de representantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que acompanharão as ações do CQuali-Leite.
Para comemorar, o sorvete ganhará embalagens em estilo vintage lembrando a história da marca
A receita de chocolate, malte e leite do clássico picolé Chicabon está completando 65 anos. Para comemorar a data, a Kibon, fabricante do produto, investe R$ 1,5 milhão em ações que incluem embalagens comemorativas, novo formato de sorvete e uma promoção cujo objetivo é fazer com que os participantes desvendem e procurem pistas nas mais variadas mídias e lugares para descobrir quem roubou a primeira embalagem de Chicabon.
Para comemorar os 65 anos da marca, a linha Chicabon ganhará edição especial com embalagem em estilo vintage que explora os elementos das principais embalagens das seis décadas de história do produto.
Outra novidade será o lançamento do mini Chicabon, uma caixa recheada de mini-bombons de sorvete Chicabon cobertos por chocolate ao leite, com embalagem também em estilo vintage.
A Kibon atua no mercado de sorvetes há 65 anos, sendo a primeira indústria brasileira do segmento. O primeiro sorvete da marca foi o Eskibon, seguido, ainda no mesmo ano (1941), pelo Chicabon.
O tópico da conveniência para os produtores industriais
Seguindo a coletânea de artigos iniciadas pelo artigo publicado na Sorveteria Brasileira de número 172, se dedica o início deste a tratar do tópico conveniência e as ações dos produtores industriais. Define-se conveniência, como o conjunto de esforços no sentido de eliminar barreiras que dificultem o fluxo de produtos entre produtor e consumidor e a utilização dos produtos pelo consumidor. Estas barreiras podem ser de vários tipos, e serão aqui, para maior facilidade, divididas em dois grupos distintos: aquelas entre a indústria e o revendedor, e as barreiras entre o revendedor e o consumidor final dos produtos.
Barreiras entre o produtor e os revendedores
Garantir o acesso do consumidor final aos produtos depende de garantir o suprimento contínuo aos revendedores. Estes revendedores, sejam eles super e hipermercados, bares, padarias e lojas de conveniência são fundamentais por se tratarem do último elo da cadeia entre produtor e consumidor. É fundamental que seu número seja grande e bem distribuído, provendo fácil acesso ao produto. Sobre eles, algumas das dificuldades que podem constituir barreiras:
• Disponibilidade de equipamentos frigoríficos: muitos potenciais revendedores, situados em locais de grande fluxo, não dispõem de equipamento de refrigeração adequado para armazenar sorvetes. Fornecer freezers a esses clientes é uma saída que tem possibilitado o crescimento de muitos industriais do sorvete em nosso país. O tamanho do equipamento é também importante : que esteja de acordo com o tamanho do potencial de vendas e com o intervalo entre o tempo das entregas para a região ( que sua capacidade seja suficiente para armazenar sorvetes por um período superior aquele em que serão feitas as entregas).
• Entregas: o consumo de sorvete é largamente dependente do clima, e a sazonalidade deriva em grande medida desta característica: por exemplo, embora haja uma tendência normal a redução de consumo durante o inverno, caso ocorram alguns dias com clima quente e ensolarado é natural haver uma certa pressão com a ampliação do consumo de sorvetes neste período. O serviço de atendimento comercial e de entregas deve ser pensando de maneira a lidar com essas flutuações e oscilações. Primeiro, é fundamental, tanto em relação ao trabalho dos vendedores quanto do serviço de entregas, estabelecer uma periodicidade de idas a uma região, seguindo um roteiro racional, em que possa haver inclusive vinculação entre o trajeto do vendedor e o das entregas : programá-las para que o vendedor visite uma região um ou dois dias antes da entrega prevista para aquela região, por exemplo, garante agilidade. Essa periodicidade faz com que os clientes, os pontos de venda, se habituem a manter um certo nível de organização e planejar as suas compras. No entanto, é preciso ser flexível para entender que os clientes podem planejar suas compras, não suas vendas: que essas são largamente afetadas pelo efeito do clima e que variações de clima e sua pressão sobre as vendas devem ser acomodadas de alguma forma, com algum tipo de serviço especial, no serviço de entregas: sempre de maneira a garantir o suprimento ao cliente, a garantir o ponto de venda abastecido.
• Condições Comerciais: preços e prazos praticados devem ser coerentes com o momento, seja do cliente, seja da variação normal de sazonalidade. Prazos mais elásticos e condições de preços mais favoráveis para, quando da introdução do produto, o ponto de venda ter condições de estabelecer uma clientela, criando volume de compras. Dessa forma, reduz-se a necessidade de capital de giro do comerciante que deseja ser um revendedor do produto: e se o investimento necessário se torna menor, há quantitativamente um número maior de comerciantes em condições de fazê-lo.
Barreiras entre o produtor e o consumidor
Comunicação visual
O uso da comunicação visual, seja na construção de material visual de apoio de ponto de venda ( posters e adesivação de freezer), seja no design de embalagem, deve ter como um de seus objetivos tornar o produto acessível a todos os públicos. Por exemplo, o uso de cores e de imagens que ajudem a identificar o sabor do produto ( imagens de frutas, por exemplo) servem para facilitar a compreensão por parte de crianças em idade pré-escolar e de adultos que não sejam alfabetizados. Nesse quesito, algumas idéias a respeito das embalagens e apresentação visual :
• Braile: inserir inscrições nas embalagens dos produtos permite o acesso mais fácil dos deficientes visuais,
• Línguas estrangeiras : mercados importantes no cenário nacional recebem frequentemente turistas de outros países. Não ter o nome e descrição de seus produtos em seu material promocional e de embalagens, pelo menos em Inglês, pode diminuir a chance de o produto ser consumido por turistas.
Embalagem- tamanho e adequação
Como brevemente mencionado no artigo de abertura, a criação de novos tamanhos de embalagem tem papel importante. O entendimento do que cada tipo de consumidor necessita em relação ao tamanho de embalagens derruba barreiras como, por exemplo:
• Impacto em custos e uso: embalagens menores tem menor desembolso. Veja-se o que acontece com alguns produtos lácteos, como sobremesas e produtos em bandejas, que são vendidos fracionados em pontos de venda. Uma das hipóteses para esse hábito é a possibilidade de atingir um público que tenha menor poder aquisitivo. No caso de revendedores de sorvete, o tamanho usual de 10 litros possui limitações: 5 litros permitiriam ao revendedor que adquirisse mais sabores, oferecendo mais produtos ao seu cliente e dispondo de um mix melhor. 10 litros parece ser um limitante a uma maior disponibilidade de sabores, mas por outro lado mais adequado a clientes que adquirem um único produto ( restaurantes que utilizem apenas sorvete de creme como parte de sobremesas).
• Atendimento a famílias menores: a criação de embalagens menores para esse público garante que o produto adquirido seja compatível com a quantidade necessária, e evita longos período de armazenagem que poderiam tornar o produto cristalizado e pouco atrativo para o consumo. Atende também ao público que não possui espaço no refrigerador doméstico.
Disponibilidade de produtos- adequação de sabores e formulações
O Brasil é um país de dimensão continental, com grandes diferenças culturais e econômicas entre regiões. A vegetação é diferente, bem como o clima. E diferentes hábitos alimentares fazem pensar ser necessário, para atender bem a todo o país, ter um portfólio regionalizado: compreender que cada região apresentas diferentes hábitos alimentares. Isto se dá, entre outros, pela diferente disponibilidade de frutos e seu consumo regional: no nordeste temos o cajá, o sapoti, a graviola; no norte o tucumã, o cupuaçu, o açaí; no sul e sudeste maçãs, uvas. Há também preferências regionais por parâmetros de formulação, como quantidade de açúcares e gordura: em geral a região nordeste tem preferência por produtos mais doces, e o teor de gordura é menor; mais ao sul os produtos são menos doces e com maior quantidade de gordura. Adequar-se oferecendo produtos com formulação adequadas e com sabores de cada região é fundamental: evita-se assim a barreira de um portfólio desviado dos hábitos do consumidor, inadequado a sua bagagem cultural.
Conclusão
O objetivo quando se trata da distribuição sempre foi maximizar as vendas através do aumento do número de pontos de venda. O entendimento de conveniência soma a isso derrubar qualquer barreira que impeça ao consumidor ter acesso ao produto. Se o consumidor hoje tem poucas horas por dia para sair de casa para ir até o ponto de venda, cria-se uma forma de que o produto vá até ele. Se tem pouco dinheiro, ou não possui espaço no refrigerador, embalagens menores podem ser a solução. Estar atento aos diferentes tipos de consumidor, suas necessidades e saber ler que dificuldades os impedem de consumir é fundamental.
Quando se trata dos intermediários, dos revendedores, é preciso uma leitura diferente: primeiro, no sentido de ampliação de pontos de venda, deve-se buscar vender onde não se vende. Em hotéis, cozinhas industriais, motéis, restaurantes. No tocante a dificuldades, barreiras impostas ao revendedores, fornecer o equipamento frigorífico, uma prática bem disseminada em vários fabricantes de sorvete, é fundamental para evitar que a falta de equipamento frigorífico seja uma barreira, principalmente quando se trata de empresas que não vendem habitualmente sorvetes. Dispor de entregas ágeis também é fundamental, evitando que o cliente migre, diante da incapacidade de atender de maneira veloz a sua demanda, para a concorrência; ou ainda que ocupe o freezer com outras categorias de produtos. Como outra barreira, principalmente aplicada a prospecção de novos clientes, estão as condições comerciais. Praticar prazos mais longos de vencimento quando o cliente inicia as vendas permite que o próprio capital vindo do giro dos sorvetes financie as compras: e se o negócio sorvete se pagar para o cliente, se torna mais atrativo por um lado, por outro, a exigência de menor capital aumenta muito o número de clientes potenciais.