19 de Julho de 2010

Participe do maior evento da área sensorial já realizado no Brasil

Publicado por admin em Treinamento, P & D, Congressos

 

Sexto Simpósio Ibero Americano em Análise Sensorial sob a organização da Embrapa e da ABCS - Associação Brasileira de Ciências Sensoriais que será realizado em São Paulo, de 19 a 21 de agosto de 2010. O primeiro Sensiber foi em 1996 (Campinas – SP, Brasil) e os eventos seguintes foram sediados em distintos países da América Latina. Este ano temos a honra de sediá-lo novamente no Brasil e esperamos atrair um grande público.
Este importante evento visa a integração dos profissionais e estudantes da área de alimentos e bebidas, cosmética, higiene e demais segmentos que utilizam a análise sensorial como ferramenta para o desenvolvimento de produtos, controle de qualidade e marketing, permitindo ampla discussão e divulgação dos resultados de estudos desenvolvidos pelas universidades, institutos de pesquisa e empresas privadas.

Sensiber 2010
18 de Julho de 2010

Semana do laticinista

 

A Semana do Laticinista, realizada pela primeira vez em 10 de julho de 1950, originou o Congresso Nacional de Laticínios, cuja primeira edição aconteceu em julho de 1972. O evento, idealizado por um grupo de técnicos e professores do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, conquistou reconhecimento junto à comunidade científica e atualmente é considerado marco na história do agronegócio do leite no Brasil - segmento Indústria. É o único fórum destinado exclusivamente às discussões e às ações pertinentes e inerentes à indústria de laticínios brasileira, bem como uma oportunidade de reciclagem do conhecimento para técnicos em leite e derivados.
Em 10 de julho de 1950, o idealizador e fundador da Semana do Laticinista, Sebastião Senna Ferreira de Andrade, destacou no discurso de abertura: “é dever patriótico promover uma reunião entre profissionais com o mesmo ideal e para um mesmo fim, para estabelecer as bases amistosas de união de esforços dispersos em benefício do progresso da indústria de laticínios do país”.

O 1º Congresso Nacional de Laticínios

Já em 10 de julho de 1972, a então Semana do Laticinista - o maior acontecimento nacional do segmento, já na 23ª edição – teve sua transcendência enriquecida pela realização simultânea com o 1º Congresso Nacional de Laticínios. A grande importância que a indústria laticinista ocupava no contexto nacional à época exigia uma reformulação geral dos ideais anteriores, além de um alargamento de relações industriais.
Atualmente, em sua 26ª edição, o Congresso Nacional de Laticínios vêm prestando valiosas contribuições técnico-científicas para a cadeia agroindustrial do leite, por meio de cursos, palestras, mesas-redondas e painéis, cujos temas têm sido de grande interesse e aplicabilidade para os profissionais e estudantes que freqüentam os eventos.
O advento da internacionalização da economia e do conhecimento, fortalecido na década de 1990, provocou a reformulação do Congresso Nacional de Laticínios, adequando-se à filosofia do novo cenário político, econômico e social que se delineava. Neste contexto, o espírito de cooperação técnico-científica, do debate de idéias e da busca de soluções que atendam às exigências crescentes dos consumidores dos países envolvidos vem sendo incrementado a cada edição do evento.
A idéia é levar aos participantes uma visão estratégica do futuro, em que predominará a competitividade empresarial. Assim, os mais recentes trabalhos técnicos científicos, o que há de mais moderno em máquinas, equipamentos, embalagens e ingredientes para a indústria de laticínios estarão sempre presentes no Congresso.

CNL

38ª Expomaq

     A 38ª Exposição de Máquinas, Equipamentos, Embalagens e Insumos para a Indústria Laticinista (Expomaq) – um dos eventos que fazem parte do 27º Congresso Nacional de Laticínios, organizado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais  (Epamig), vai apresentou este ano novidades tecnológicas de empresas do Brasil e do exterior. A exposição foi realizada no Expominas  Juiz de Fora.  

 

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37ª Expolac

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Considerada uma importante vitrine para apresentação de produtos lácteos v

indos de todas as partes do Brasil, a Exposição de Produtos Lácteos (Expolac) é um dos eventos que ocorre simultaneamente ao Congresso Nacional de Laticínios. O objetivo é mostrar a crescente evolução do setor laticinista, oferecendo um espaço nobre, que permite livre acesso aos visitantes da feira. Democrática, a Expolac reúne laticínios de todo o país, independentemente do tamanho da empresa, das tecnologias aplicadas ou dos derivados fabricados.
Todo ano, cerca de 10 mil visitantes percorrem o estande da Expolac em busca de novidades no setor de alimentos derivados do leite. O espaço promove degustação dos produtos expostos, de maneira a divulgar a qualidade das empresas que participam do evento. A exposição é ainda uma ótima oportunidade para que representantes comerciais busquem novas marcas e produtos lácteos com os quais têm interesse em trabalhar. A cada ano, cerca de 80 empresas de todo o país utilizam a Expolac para lançar novos produtos e apresentá-los ao público, o que significa expor mais de 900 tipos de produtos diferenciados.

 

O Instituto

O Instituto de Laticínios "Cândido Tostes" (ILCT) vem desde 1935, contribuindo decisivamente para o permanente crescimento da indústria brasileira de laticínios, desenvolvendo e difundindo tecnologia, capacitando pessoal para a indústria e atividades correlatas e formando técnicos que ocupam cargos diversos, como professores, inspetores da SIPA/MA (Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal / Ministério da Agricultura) gerentes técnicos de cooperativas e indústrias lácteas, administradores de fábricas, proprietários de indústrias e diretores de grandes empresas no ramo de laticínios e equipamentos industriais.

Hoje, o ILCT possui reconhecimento, imagem e conceito positivos junto à comunidade técnico-científica e junto ao setor produtivo no Brasil. O seu reconhecimento mundial estende-se a mais de sessenta países, através dos especialistas do setor. Este sucesso foi conseguido graças ao modelo de Ensino-Pesquisa-Extensão do ILCT, cujo desenvolvimento foi sempre calcado na conjugação equilibrada entre a teoria e a prática.

No início

Em 1890, a Fazenda São Mateus, foi comprada pelo Dr. Cândido Teixeira Tostes. Dr. Candinho, como era carinhosamente conhecido, nascido em 05 de fevereiro de 1842, era bacharel em Direito e foi Diretor do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Homem dinâmico e inteligente, de grande projeção no meio ruralista, implantou, nas fazendas São Mateus e Sant’Ana, lavouras de café, tornando-se o maior cafeicultor de Minas e por isso cognominado o Rei do Café. A 9 de abril de 1927, falecia aos 85 anos. A escolha do nome do Instituto de Laticínios "Cândido Tostes", seria em sua homenagem.
Entra aqui o Solar dos Tostes: na década de 30, a Fazenda São Mateus, em Juiz de Fora, Minas Gerais, costumava receber visitantes ilustres, entre eles, o Presidente Getúlio Vargas e o Governador do Estado de Minas, Benedito Valadares. Em maio de 1935, o Dr. Benedito Valadares transferiu a sede do Governo de Minas Gerais para a Fazenda São Mateus e lá promulgou o Decreto nº 50, de 14 de maio de 1935, criando em Juiz de Fora - MG, a Indústria Agrícola "Cândido Tostes", sendo este nome em homenagem aquele personagem ilustre, antigo dono da fazenda que tanto fizera pelo desenvolvimento da região de juiz de Fora.
Ao ser inaugurada, em 03 de setembro de 1940, já seu nome havia sido mudado para Fábrica-Escola de Laticínios "Cândido Tostes"(FELCT).

Também a Fábrica Escola, sofreria mudanças.

No dia 3 de setembro de 1956, portanto, 16 anos após a sua inauguração, passa a denominar-se Instituto de Laticínios "Cândido Tostes", através da Lei 1.476, integrado à estrutura da Secretaria de Estado da Agricultura do Estado de Minas Gerais, usufruindo de todas as prerrogativas que o novo título possa lhe conferir.
O Instituto adiantou-se à concepção social de educação, vigente nos dias atuais, que propõe a vinculação da escola ao mundo do trabalho. Ali, esta circulação vem ocorrendo de forma equilibrada favorecendo o diálogo escola e empresa, pela articulação natural entre a teoria e a prática. O aluno é o portador que leva as tecnologias de ponta, colhidas na escola e novos produtos ali desenvolvidos, para a empresa e dela traz as demandas que o mercado consumidor está a exigir. A sua infra-estrutura permitiu consolidar ainda mais a formação especial, com destaque para o setor de estágio supervisionado. Vale ressaltar que, grande parte deste processo deve-se ao fato de a Instituição trabalhar em regime de tempo integral, o que tornava possível realizar uma carga horária com cerca de 4.900 horas/aula, em um período de 3 anos e meio.
Em 1974, o Governo do Estado de Minas Gerais, através da Lei nº 6310, autorizou a constituição da Empresa de Pesquisa Agropecuána de Minas Gerais - EPAMIG, cujo objetivo era responder pela linhas de pesquisa no Estado, analogamente ao trabalho realizado pela EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a nível nacional. O Governo do Estado estava deslocando o Instituto de Laticínios "Cândido Tostes" da estrutura da Secretaria de Agricultura, transferindo-o à recém criada Empresa, com todas as suas atividades e o seu patrimônio. Assim o ILCT tinha institucionalizado a sua atividade de pesquisa.

Os programas de ensino e pesquisa são executados em perfeita integração, sendo que os trabalhos desenvolvidos pela pesquisa constituem instrumento básico no aprimoramento técnico do ensino em laticínios. Casamento perfeito entre duas atividades fins: Ensino e Pesquisa, algo sonhado pela Universidade Brasileira, presente na realidade de uma escola de ensino técnico.

A institucionalização da pesquisa através da EPAMIG tomou impulso rápido, pela base que encontrou no ILCT; o espírito de pesquisa estava instalado desde a criação, na distante década de 30. De então, até 1980, contou-se com o frutífero trabalho de tecnologia estrangeira, notadamente européia, de fabricação de queijos, manteiga e outros produtos lácteos, em que os processos adequados às condições brasileiras, eram de imediato transferidos à indústria nacional.

Toda a organização existente foi mantida guardando integral fidelidade à sua tradição e ao postulado inscrito na parede de entrada de seu núcleo industrial. "Para saber mandar é preciso saber fazer - para saber fazer é necessário aprender fazendo".

 

Quem é quem no Instituto de Laticínios Cândido Tostes

No Instituto de Laticínios Cândido Tostes, as decisões são tomadas após reunido o colegiado denominado Comitê Gerencial, composto pelos seguintes membros, a saber:

Comitê Gerencial:

Pesquisadores:

 

Presença do Prof. Gerson Occhi - Chefe do CENS/ILCT e do O presidente da Epamig, Baldonedo Arthur Napoleão no jantar de confraternização dos Técnicos em laticínios formados em 1985 no Instituto de Laticínios Cândido Tostes em Juiz de Fora, MG.

 

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5 de Junho de 2010

3º Congresso Brasileiro de Gastronomia & 1º Simpósio Regional de Ciência e Tecnologia de Alimentos

O 3º Congresso Brasileiro de Gastronomia & 1º Simpósio Regional de Ciência e Tecnologia de Alimentos, organizado pelo Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília e pela Secretaria Executiva da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos do Distrito Federal (sbCTA-DF), ocorrerá entre os dias 10 e 13 de agosto de 2010, na cidade de Brasília.

A gastronomia vem ganhando importância cada vez maior dentro da economia nacional, especialmente no que se relaciona ao setor turístico. No meio acadêmico, ela estabelece conexões com diversas ciências e exerce papel considerável na compreensão do homem, da vida em sociedade e dos códigos comportamentais e determinados contextos históricos. O estudo científico da alimentação abrange as perspectivas técnicas, históricas e regionais dos alimentos, desde a etapa da produção da matéria-prima, até o preparo e o consumo, acompanhando também os processos de fabricação, armazenamento, transporte, higienização e comercialização.

Com o tema “Alimentos: da alquimia à ciência”, o 3º Congresso Brasileiro de Gastronomia & 1º Simpósio Regional de Ciência e Tecnologia de Alimentos tem como objetivo fortalecer as relações entre a comunidade científica e empresas do setor, reunindo estudantes, pesquisadores e profissionais das diversas áreas relacionadas aos alimentos, oferecendo um espaço para a troca de conhecimentos, divulgação de pesquisas e produtos e valorizando os alimentos regionais da biodiversidade brasileira, em especial, do Cerrado.

Contato

25 de Maio de 2010

Jornal informativo da Engenharia de Alimentos

Publicado por admin em Treinamento, P & D, Congressos, Associações
24 de Maio de 2010

Prêmio ILSI Brasil – Alimentos Funcionais 2010

Publicado por admin em P & D, Congressos, Associações

Desde domingo, 02 de maio, até 30 de junho estão abertas as inscrições para o Prêmio ILSI Brasil – Alimentos Funcionais 2010, que visa identificar, reconhecer e encorajar talentos da pesquisa científica e tecnológica na área de alimentos e ingredientes com propriedades funcionais nutricionais e de saúde, além de componentes e ingredientes bioativos.  

Iniciativa da Força-Tarefa Funcionais, subordinada ao Comitê de Nutrição do ILSI Brasil, o prêmio é concedido a cada dois anos. A novidade desta edição é que serão selecionados dois vencedores. O primeiro colocado receberá R$ 7 mil e o segundo R$ 3 mil. A inscrição é individual – mesmo que o candidato faça parte de um grupo de pesquisa – e poderá participar com apenas um projeto.

Serão aceitos trabalhos científicos de pesquisa, dissertações de mestrado e teses de doutorado (defendidas entre 1 de julho de 2008 e 30 de junho de 2010), realizados em território nacional. Nos três casos deverão ter artigo publicado em periódico científico indexado, ou com aceite para publicação. A postagem dos documentos deve ser feita pelo correio e os resultados serão divulgados no dia 21 de setembro.

“Diante do avanço do conhecimento no que se refere à relação entre alimentação e saúde, os altos custos da saúde pública e a busca constante da indústria por inovações, é crescente o número de pesquisas que buscam identificar novos compostos bioativos e estabelecer bases científicas para a comprovação das alegações de propriedades funcionais e de saúde dos alimentos. O Prêmio é uma forma de reconhecer o trabalho destes pesquisadores e estimulá-los”, comenta Prof. Franco Lajolo, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, coordenador da FT Funcionais do ILSI Brasil e membro da CTCAF (Comissão Técnico-Científica de Assessoramento em Alimentos Funcionais e Novos alimentos).

Serviço

Site - www.ilsi.org.br/premiofuncionais2010

E-mail: premio_funcionais2010@ilsi.org.br

Tel - 11- 3035.5585

Informações para Imprensa

edna vairoletti - clip_image002(11) 8164-9863

 clip_image004vairoletti@ndata.com.br

 Vairoletti  & Vairoletti Comunicação

20 de Maio de 2010

Instituto de Tecnologia dos Alimentos.

16 de Maio de 2010

Facebook

Fique fã, espaço reservado para informações da indústria de alimentos.

13 de Julho de 2008

Molho de Pimenta

Publicado por admin em P & D

ARDÊNCIA

Escala de Scoville

Em 1912 um químico chamado Wilbur Scoville que trabalhava para a companhia farmacêutica Parker Davis desenvolveu um método para medir o nível de “calor” das pimentas. O teste foi chamado, posteriomente, de “Scoville Organoleptic Teste”.

No teste original, Wilbur misturou pimentas puras moídas com açúcar e água. Provadores tomavam a solução em concentrações crescentemente diluídas, até que eles alcançaram o ponto que o líquido já não queimava a boca. Um número foi então dado a cada pimenta, baseado em quanto precisou ser diluída até que eles já não pudessem provar (sentir) o calor. É um procedimento de diluição subjetivo, levando em conta o gosto.

A ardência (ou fator de calor) das pimentas é medida em múltiplos de 100 unidades. Da Sweet Bell, zero unidades de Scoville ao poderoso Habanero, 300.000 unidades de Scoville! A substância que faz uma pimenta tão quente é chamada Capsaicina, que fica entre 15.000.000 e 16.000.000 unidades de Scoville!

Escala de Scoville
Tabela Simplificada

10+ Red Savina Habanero
10 Orange Habanero
9 Chile Piquin
8 Cayenne
7 Thai Chile
6 Peruvian Rocoto
5 Serrano
4 Cascabel
3 Pasilla
2 Poblano
1 Mulato
0 New Mexico
0 Bell

Elaborado por: Emanuela Ramos Caron, Ricardo Maitelli Belló e Rodrigo Moraes da Fonseca, em novenbro de 2003

17 de Março de 2008

MEL – “O NÉCTAR DOS DEUSES” … E DE NÓS TAMBÉM

Publicado por pedrolino em Ingredientes, P & D, Gastronomia

No decorrer dos séculos, a humanidade sempre procurou alimentos que fornecessem energia, saúde e longevidade; como já sonhava Hipócrates (filósofo grego há 2500 anos) um alimento de alto valor medicinal.
Entre tantos alimentos naturais ou processados, o mel merece destaque. Por não depender tanto do clima, solo, condições sociais, políticas e/ou econômicas, está espalhado pelos quatro cantos do planeta, com características únicas de sabor adocicado e coloração dourada única e foi considerado pelos antigos egípcios, fenícios, africanos e asiáticos como “ouro líquido” em épocas remotas.
Enquanto na Índia não se consome carne de vaca, entre os judeus carne de suínos, há índios ainda antropófagos; enfim, cada país com diferentes costumes e alimentos, há apenas duas coisas amplamente consumidas em quase todo o mundo, das mais primitivas às mais evoluídas, das mais ricas às mais pobres, dos cultos aos incultos: água e mel.
Segundo estimativas, o mel é produzido há cerca de vinte milhões de anos pelas abelhas e consumido desde antes dos humanos por outros animais, principalmente os mamíferos.
As abelhas, aliás, têm representado para os seres humanos, exemplos naturais de vida em sociedade organizada. Algumas saem da colméia em busca do néctar das flores, onde tudo começa. Chegam então a visitarem e coletarem a partir de cinqüenta a mil flores setenta miligramas (70 mg) de néctar. Na colméia, seguram esse néctar em uma vesícula (entre o estômago e o esôfago) até passar para outra abelha que manipula durante vinte minutos na boca esse néctar, diminuindo a quantidade de água dele e depositando sobre uma célula (favo). Uma vez enchido um favo, esse é fechado com cera e após dois dias esse produto já se transforma em mel, podendo servir como suplemento alimentar da colméia por mais de um ano.
A partir dessa etapa o homem entra em ação. Num local limpo e arrumado para esses fins (apiário) e aplicando-se fumaça fria para afugentar o excesso de abelhas, retiram-se os favos, centrifuga-se o mel e filtra-se o mesmo, decantando por mais cinco dias a 35 ºC. Após essas etapas, o mel está pronto para ser envasado em embalagens de vidro ou plástico e acondicionado por até três anos.
À primeira vista, o mel pode parecer uma mistura monótona de açúcares, um melado. Porém, deve ser considerado um alimento rico por possuir muitas vitaminas (como as do complexo B), sais minerais (cálcio, fósforo, sódio) e ácidos orgânicos (fólico, pantotênico) benéficos à saúde humana.
Como preventivo, poderíamos assinalar uma série de benefícios: é absorvido rapidamente pelo organismo, sendo o açúcar ideal para maratonistas, protege o sistema imunológico, previne cálculos biliares e arteriosclerose, não provoca cáries, combate a anemia, melhora a memória, combate infecções no sistema gastro-intestinal, aumenta a longevidade, entre outros.
Mas, nos surge a pergunta: por que, com tantos benefícios o mel ainda é um produto tão pouco difundido e consumido, especialmente no Brasil? Até o século XIX, sem a expansão do açúcar branco era ele consumido como fonte de sabor doce em receitas mais diversas. No entanto, com a monocultura em massa do açúcar branco e baixo preço do mesmo, houve forte lobby e pressão de empresas alimentícias do mundo todo no uso dessa “comoditie”, generalizando seu consumo.
Como herança de um colonialismo selvagem, países como o Brasil adotaram a agricultura moderna e latifundiária, estabelecendo um domínio do açúcar frente a outros produtos que pudessem oferecer alternativas à população. Em face disso, a produção do mel pouco evolui tecnicamente e não recebe (recebeu) incentivos políticos para disseminação e maior qualidade do produto, limitando-se seu consumo (pela menor produção e maior preço) às classes mais abastadas e como idéia de sobremesa, e não como alimento, nutritivo e de alto valor biológico.
Por isso, países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, como o Brasil vêem-se frente a frente com um paradoxo: de um lado combater a anemia e a desnutrição, causada pela falta de alimentos à uma parte sensível da população mal e pouco alimentada e do outro lado combater a obesidade, causada em grande parte pelo consumo exagerado de um povo que no último século foi “ensinado” a consumir produtos cheios de açúcar.
Outrossim, o mel não possui uma regulamentação, padronização e fiscalização sérias, levando muitos produtores a adicionarem outros produtos no mesmo, falsificando-o e desacreditando o produto junto aos potenciais compradores.
Respondida a primeira pergunta a você, leitor, outras certamente surgem e vão esclarecendo-lhe: será o mel um produto ruim ou pouco utilizado; será que há interesse das multinacionais alimentícias na pesquisa e melhor/maior uso tecnológico do mesmo; por que o açúcar é produto de cesta básica brasileira e o mel não o é (pressão de multinacionais e grandes produtores de açúcares,talvez), entre tantas outras.
Atualmente e cada vez mais, nós, os consumidores conscientes da nova era, queremos nos alimentar e não só comer, ingerindo substâncias que nos forneçam energia e principalmente representem um meio de prevenção à diversas doenças.
Por fim, lembremos que o mel, esse produto que se fez presente em todos os períodos da história humana é o que a Mãe Natureza nos oferta de mais simples e que, como muitas vezes em outros momentos da vida, substituímos e, não raras vezes, muito mal.

Pedro Henrique Baptista de Oliveira
Pesquisador/professor Instituto de Laticínios Cândido Tostes
EPAMIG
ph2eal@yahoo.com.br
pedrohenrique@epamig.br
32 91176126

8 de Março de 2008

ALIMENTOS OU REMÉDIOS – O FUTURO JÁ CHEGOU?

Publicado por pedrolino em Ingredientes, Laticínios, P & D

Quando se pensa em astronautas, viagens lunares uma das coisas que se pensa é como eles se alimentam. É verdade que eles precisavam de uma alimentação que ocupasse pouco espaço e fosse nutritiva e segura. Por isso, a partir das primeiras expedições extraterrestres, a indústria de alimentos teve um grande salto tecnológico. Ao mesmo tempo, não é nova a idéia de que uma boa alimentação é uma base para uma vida mais saudável. Destarte, muitos, há muito tempo, como o grande Hipócrates em: “use os alimentos como remédios” já anunciavam a importância dos alimentos e de seus macro e micro elementos como reguladores e um dos maiores responsáveis pela manutenção da saúde, física e mental.
Nesse sentido, desde então, o ser humano tem buscado através da química dos alimentos, desvendar esse mundo maravilhoso que norteia os caminhos da fisiologia alimentar e aplicá-los o melhor possível em nosso proveito. Poderíamos citar alguns exemplos atuais, como a recente aplicação e disseminação da idéia dos flavonóides, biosubstâncias naturais encontradas principalmente nos vegetais, como a uva, beterraba e tomate, que, vem sendo adicionadas direta ou indiretamente em sucos, chás, cafés e outros, com objetivo de reduzir o colesterol ruim. E por que não falar dos ácidos graxos insaturados, (os ômegas 3, 6, 9), presentes em grande quantidade em alguns vegetais, especialmente as leguminosas ou ainda em pescados e que reduzem o mau colesterol e diminuem a incidência de doenças cardiovasculares. Há ainda os “nuts”, grupo das nozes, castanhas, etc, que, junto com o levedo de cerveja, são ricos em vitaminas do complexo B e de micronutrientes, como o selênio, que protegem o sistema imunológico e parecem atuar na prevenção de alguns cânceres. Por outro lado, diversas pesquisas são direcionadas às fontes protéicas, como soro de leite, leite, soja para aumento de massa muscular e rendimento de atletas, em todos os níveis ou mesmo tem sido explorada a atuação de prebióticos e probióticos na regulação do trânsito intestinal.
A verdade é que, não fôra a atuação de órgãos governamentais, como a FDA (Food and Drug Administration – órgão de fiscalização de alimentos e medicamentos dos EUA) e outros, como a nossa Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), teríamos talvez uma bula e não um rótulo junto aos alimentos que comprássemos nos supermercados. Exageros à parte, alguns fatos mais evidentes disso já puderam ser vistos, embora muitas vezes não percebidos pelo consumidor leigo no assunto. Por exemplo, empolgados com a idéia de vender mais e mais óleo de soja e com a má reputação do colesterol (que era e ainda o é erradamente reconhecido pela população em geral como o vilão causador maior das doenças cardiovasculares) empresas produtoras de óleo vegetal – especialmente soja – começaram a estampar em suas embalagens os dizeres: “Não contém colesterol”. Grande vantagem… Por ser vegetal, a soja não pode conter colesterol, molécula só encontrada em animais. Outro exemplo clássico é a presença de alguns certificados de algumas sociedades médicas nacionais ou internacionais, geralmente ligadas às doenças do coração, presentes nos rótulos dos produtos como sucos, chás, pescados, etc.
Por outro lado seria importante lançar uma provocação: realmente e considerando que muitas das doenças são causadas por má alimentação (ou falta desta) e problemas na água seria exagero supor que os técnicos de alimentos (nutricionistas, químicos, engenheiros de alimentos, bioquímicos e outros) teriam maior ou igual importância aos farmacêuticos e médicos? Não. Mas no nosso país, onde a solução é conseqüência do problema e não se buscam as causas e a prevenção, não é difícil entender essa situação. Lotados num país com altos índices de morte por doenças cardiovasculares, assistimos paradoxalmente índices alarmantes de obesidade e bulimia, desnutrição e anemias. Alicerçados por uma indústria farmacêutica forte, competente e muitas vezes voraz, literalmente “engolimos” atônitos as propostas para aliviar a dor, exterminar os males e não buscar, em profundidade, as razões deles.
Portanto, ao mesmo tempo em que se fortalece a indústria de medicamentos, esta vê com certo cuidado (ressalva, olhar matreiro) que, na verdade, a maioria das doenças pode e deve ser evitada pelo uso de uma alimentação saudável e balanceada. Nesse sentido, não estamos falando para apelar para o uso de suplementos protéicos, vitamínicos, sucos “sobrenaturais” que parecem que só faltam declarar que curam doenças terminais. De maneira alguma. O homem está redescobrindo o natural, o orgânico, que em suma é o que sempre se alimentou, antes da disseminação global das técnicas de produção e conservação dos alimentos. Assim, não é à toa que nossos avós e avôs não tinham doenças do coração em grande quantidade já que, aliada à uma vida com mais atividade física, muitos consumiam mais vegetais, leite, soja, entre outros.
Agora essa nova caminhada é inevitável, sem volta. O futuro já começou e há uma enorme tendência de que gradualmente venhamos a substituir os fármacos por alimentos, sejam transgênicos ou não (sem maiores polêmicas, por favor).
Por isso, resta à sociedade uma maior pressão junto às universidades, órgãos de pesquisa, órgãos reguladores, entre outros, para controlar a produção, marketing (propaganda) dessas novas descobertas, evitando caminhos inescrupulosos e que possam atender, enfim, ao tripé ciência, saúde e boa alimentação.

Pedro Henrique Baptista de Oliveira
Pesquisador/professor Instituto de Laticínios Cândido Tostes
EPAMIG
ph2eal@yahoo.com.br
pedrohenrique@epamig.br
32 91176126

22 de Janeiro de 2008

A pesquisa em alimentos da Pré-História à contemporaneidade.

Publicado por admin em Treinamento, P & D, Nanotecnologia

Julio Alberto Nitzke

Publicação PROPESQ / UFRGS

Considerando-se a pesquisa em seu sentido mais amplo, e não na sua interpretação cartesiana atual, a pesquisa em alimentos é quase tão antiga como o homem, pelo menos mais antiga que sua história. De acordo com pinturas rupestres encontradas, o homem pré-histórico descobriu que colocando sua caça perto do fogo ela durava mais tempo, vencendo aí a primeira das inúmeras batalhas contra a deterioração dos alimentos, na sua guerra pela sobrevivência.

Prosseguindo com suas buscas, o homem conseguiu alguns avanços notáveis. Sabe-se, por exemplo, que uma espécie de cerveja já era produzida pelos egípcios há cerca de 5000 anos atrás; este mesmo povo também já dominava a técnica de armazenagem de grãos. Já os romanos eram exímios panificadores, considerando, inclusive, a panificação como uma forma de arte, que liberava seus “artistas” até do pagamento de impostos.

Também na civilização oriental, 2000 anos antes de Cristo os chineses já haviam desenvolvido tecnologia para a conservação de peixes utilizando gelo.

Todas as pesquisas que resultaram nos processos desenvolvidos foram totalmente empíricas, sem nenhum conhecimento ou embasamento teórico, e normalmente utilizando ou simulando processos existentes na natureza, tais como o sol, o calor, o frio. Foi somente em 1792 que um confeiteiro francês, Niccolas Appert, desenvolveu um processo que não era baseado em nenhum fenômeno natural já conhecido. Appert descobriu que ao colocar os alimentos em vidros com algum líquido, lacrando-os com rolha e cera e fervendo-os em banho-maria por um determinado período conseguia uma prolongação da vida de prateleira destes alimentos. O processo de preservação criado pelo confeiteiro francês é o mesmo que produz o que hoje conhecemos como conservas, ou enlatados, e que, em sua homenagem, foi denominado de apertização, englobando todo aquele método que depende de um tratamento térmico para combater a deterioração do alimento.

Na época, Appert acreditava que a preservação do alimento devia-se a ausência de ar no interior do frasco. Esta hipótese foi derrubada por Pasteur, na segunda metade do século XIX, ao provar que os pequenos seres vivos que já haviam sido identificados por Leeuwenhoek em 1675 eram responsáveis por deteriorações nos alimentos e doenças no homem. As pesquisas de Pasteur demonstraram que o efeito da temperatura na preservação dos alimentos era na realidade sobre os microrganismos, observando que uma temperatura de 62-63ºC por um período de uma hora e meia era suficiente para eliminar os microrganismos presentes nos sucos de frutas. Este processo, que recebeu o nome de pasteurização, provocou uma grande alavancagem na qualidade dos vinhos franceses, principal indústria francesa na época, concedendo a Pasteur um grande prestígio junto ao governo de seu país.

Ao relacionar a presença de microrganismos com a deterioração dos alimentos e com a geração de produtos pela fermentação com estes mesmos seres vivos, Pasteur não somente resolveu o problema dos produtores de vinho e cerveja de seu país, mas criou a fundamentação teórica da quase totalidade da pesquisa em alimentos, pois é bastante difícil falar-se de pesquisa em alimentos sem referir-se, direta ou indiretamente à ação dos microrganismos. É esta presença constante da vida ou da supressão da vida, seja ela qual forma que tenha nos diferentes produtos, que diferencia o objeto de estudo dos profissionais que trabalham com alimentos de seus pares mais próximos, tal como os engenheiros químicos, químicos ou farmacêuticos.

As pesquisas de Appert tiveram como elemento desencadeador um concurso lançado por Napoleão, para premiar quem desenvolvesse um processo que produzisse um alimento que pudesse ser transportado por seus soldados a frentes de batalha distantes de seu local de origem. Niccolas Appert venceu o concurso, ganhando uma grande soma em dinheiro

Esta relação entre a pesquisa e as guerras, é uma das características marcantes nesta área de alimentos; foi iniciada por Appert com as Guerras Napoleônicas e estende-se até os dias de hoje.

Durante a Primeira Guerra Mundial ocorreu o primeiro grande surto de industrialização e os pesquisadores do setor alimentício foram instados a desenvolver processos para a produção de alimentos industrializados em grande escala, com o que potencializaram-se as probabilidades de ocorrências de danos à saúde pública ocasionados por alimentos. Como conseqüência, as pesquisas de Alimentos e Saúde Pública iniciavam um longo caminho.

A Segunda Grande Guerra foi a primeira de proporções globais, e provocou grandes mudanças na sociedade. Entre elas, destaca-se a inserção da mulher no mercado produtivo, retirando-a do lar, onde era a responsável pela produção dos alimentos. Com isto, tiveram que ser pesquisados novos métodos de processamento de alimentos, pois agora, além de não serem deterioráveis, de serem capazes de ser transportados, eles deveriam também ser facilmente preparados, libertando as mulheres da longa jornada junto ao fogão no preparo das refeições familiares.

Com isto teve um grande advento nos países do hemisfério Norte o processo de preservação dos alimentos por congelamento, que havia sido desenvolvido industrialmente desde o início do século, mas que somente agora teve seu apogeu, principalmente com o segmento de alimentos prontos. No hemisfério Sul, talvez com exceção da Oceânia, este desenvolvimento levou quase um quarto de século para atingir o mesmo prestígio alcançado nos Estados Unidos e Europa a partir da década de 50. No Brasil foi somente na última década que os produtos congelados começaram a fazer parte do cotidiano de uma parcela privilegiada da população. Este “atraso” tecnológico, se é que pode-se chamar assim, deve-se principalmente a dois fatores muito importantes: 1 - o consumo de produtos congelados exige a chamada “cadeia do frio” que implica que todos os elos de sua cadeia, desde a produção até o consumo final na casa do consumidor possuam aparelhos de congelamento, o que nos países de clima mais tropical onera muito o processo; 2 - as pesquisas sobre a aplicação de frio nos alimentos são realizadas principalmente pelas indústrias, sendo muito poucas as instituições acadêmicas voltadas para este assunto.

Prosseguindo com a relação entre guerras e pesquisas em alimentos, com a Guerra do Vietnã tivemos a introdução dos “pouches autoclaváveis”, um embalagem multilaminada similar a das sopas desidratadas, que no entanto pode suportar temperaturas e pressões muito elevadas, sendo uma evolução dos apertizados ou conservas, com um aprimoramento muito grande na qualidade destes produtos, que todavia ainda não chegou ao Brasil.

A Guerra do Golfo trouxe os alimentos prontos para comer, que nos EUA recebem a sigla de RTE - ready to eat, que formam uma das mais promissoras fontes de negócio atualmente, e que gradativamente vem sendo introduzidos por aqui.

Nestes tempos de paz os desenvolvimentos voltados para a guerra foram substituídos pelas conquistas espaciais, e a NASA tem tomado a liderança na pesquisa de novos alimentos. Para suas viagens à lua os astronautas receberam alimentos liofilizados, um dos mais seguros em termos microbiológicos, sensoriais e nutricionais e adequados a armazenagem sem condições especiais e em porções reduzidas. Estes mesmos alimentos foram posteriormente utilizados por nosso desbravador dos mares Amyr Klink. Outros desenvolvimentos recentes como alimentos de umidade intermediária , as técnicas de APPCC - Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, que já foram integradas à atual legislação de alimentos e a tecnologia de “clean room packaging” também foram desenvolvidos pela NASA.

Um outro elemento marcante que pode ser extraído desta relação entre a pesquisa em alimentos e as necessidades exigidas pelas guerras é a realização de estudos feitos fora do âmbito da academia. Acredito que na grande parte das outras áreas do conhecimento as pesquisas são realizadas prioritariamente dentro do ambiente das universidades. Na área de alimentos, não somente as indústrias possuem grandes centros de pesquisa, mas existem instituições, não relacionadas ao meio acadêmico, que realizam pesquisas e desenvolvimentos. As pesquisas nestas instituições não restringem-se a simples desenvolvimentos aplicados, mas freqüentemente englobam a busca de conhecimentos de ciência pura, vista por alguns como sendo de domínio exclusivo dos laboratórios universitários. No Brasil, os melhores exemplos deste tipo de instituição são o ITAL, Instituto Tecnológico de Alimentos, em Campinas, que é uma das mais renomadas unidades de pesquisa em alimentos, e a EMBRAPA, que apesar de ter sua área de enfoque nas pesquisas agrícolas, realiza muitos desenvolvimentos no ramo da ciência e tecnologia dos alimentos. Em Porto Alegre, tínhamos a Fundação de Ciência e Tecnologia - CIENTEC, que nos últimos anos abandonou um pouco a seara da pesquisa em alimentos, concentrando seus esforços na prestação de serviços, principalmente de análises.

A pesquisa em alimentos realizada no Brasil, principalmente no meio acadêmico, em minha opinião, ainda não é bem reconhecida no panorama mundial, não sendo destaque em quase nenhum evento ou publicação científica internacional. Duas razões principais colaboram para que isto ocorra. Em primeiro lugar, nos países que se destacam no setor, entre eles os Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha, existe uma inter-relação muito forte entre os setores acadêmicos e produtivo, com uma intensa troca de subsídios, financiamentos e informações entre eles, o que resulta numa produção muito fecunda de resultados e inovações, como pode ser observado em qualquer encontro científico lá realizado. No Brasil, por outro lado, existe uma desconfiança mútua entre os setores acadêmico e produtivo, que salvo raras exceções, principalmente na região de Campinas, dificilmente conseguem falar a mesma língua realizando um trabalho conjunto com bons frutos para ambos os setores.

Por um lado, os empresários brasileiros do setor alimentício, acreditam muito mais na tradição, no “meu pai sempre fez assim e deu certo, meu avô sempre fez assim e deu certo, por que eu vou mudar?”, do que em inovações científicas ou tecnológicas que poderiam colocar seu estabelecimento em pé de igualdade com outros mais avançados. Ainda mais, sua opinião é que todo o desenvolvimento científico e tecnológico deva ser bancado pelo Estado, normalmente furtando-se a qualquer colaboração financeira de sua parte. A universidade, por sua vez, vê o empresário como extremamente imediatista e não respeita o valor de sua tradição e de seu conhecimento empírico.

Além disto existe o problema de interesses distintos; enquanto para o empresário interessa o sigilo das informações obtidas e a garantia de exclusividade dos resultados encontrados, para o pesquisador o fundamental é a publicação destes resultados, é através da maior disseminação possível que ele obterá o reconhecimento de seus pares. Este mesmo paradoxo existe nos países desenvolvidos, mas uma situação bastante peculiar da área de alimentos no Brasil torna-o mais difícil de ser resolvido. Até o ano passado nenhum processo, produto ou equipamento destinado à alimentação era permitido de ser patenteado.

O outro fator que restringe a aceitação internacional dos trabalhos de pesquisa realizados no Brasil é sua regionalização. A grande maioria dos trabalhos de pesquisa realizados, principalmente nos estados do Norte e Nordeste do pais, estão, muito acertadamente, relacionados com as culturas locais, sobretudo das frutas e peixes da região, que são extremamente abundantes. Esta especificidade do objeto das pesquisa, longe de ser desmerecedor de valor, torna-o de interesse mais restrito, dificultando, inclusive a troca de informações e conhecimentos, mesmo a nível nacional, onde os produtos daquela região são quase que desconhecidos pelos pesquisadores das regiões Sul e Sudeste.

É obvio que apenas isto não é um impeditivo para o reconhecimento internacional das pesquisas regionais, pois apenas como exemplo, podemos citar os trabalhos sobre a toxicologia da erva-mate, cultura de âmbito extremamente localizado, e que já foi apresentada por duas vezes em congressos de renome mundial.

Como já pode ser percebido, a pesquisa em alimentos possue algumas características que a distingue de outras áreas do conhecimento. A meu ver, os trabalhos realizados no ICTA, Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos, desta Universidade, reúne a quase totalidade destas características, e será, por esta razão, utilizado como modelo referencial para discorrer sobre elas.

Uma primeira característica é a grande diversidade de formações profissionais que estão capacitadas e efetivamente atuam na pesquisa em alimentos. Se tomarmos como referência a grande área do CNPq das Ciências Agrárias, que compõe a presente mesa, nas outras duas subáreas aqui representadas, a de Agronomia e Veterinária, seguramente poderemos afirmar que a maioria dos trabalhos realizados foram coordenados por Engenheiros Agrônomos ou Veterinários. Já na subárea de Ciência e Tecnologia de Alimentos, além dos profissionais anteriormente mencionados, temos Engenheiros de Alimentos, Engenheiros Químicos, Químicos, Farmacêuticos, Bioquímicos, Biólogos e Nutricionistas, entre outros. Um bom exemplo a ser mencionado é um projeto de pesquisa recentemente enviado pelo ICTA à FAPERGS, onde o mesmo assunto, no caso um suplemento alimentar, está sendo estudado em todas as suas facetas, desde sua produção, processamento, controle, aspectos toxicológicos, antropológicos até seus reflexos na informação, educação e saúde pública. O referido projeto é formado por 9 subprojetos, envolvendo diretamente 14 profissionais, de todas as áreas mencionadas anteriormente, acrescidos de Médicos, Dentistas, Enfermeiros e Antropólogos.

Ao contrário da grande maioria das Faculdades e Institutos da Universidade onde domina, normalmente, uma classe de profissionais, no ICTA existem todas as classes mencionadas acima, envolvendo-se tanto na pesquisa como no ensino e extensão. Como já dito, esta característica não é exclusiva do Instituto, mas de todas as instituições que trabalham com alimentos. A melhor comprovação que tem-se para isto é o Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia de Alimentos, realizado bianualmente pela SBCTA - Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, onde congregam-se representantes de todas estas classes profissionais.

Esta característica de multidisciplinariedade não deve ser encarada como um entrave, muito antes pelo contrário; a visão do mesmo objeto por uma diversidade de enfoques e pontos de vista só tem a enriquecer o resultado final a ser atingido, mas não podemos esquecer que, devido a aspectos inerentes à própria raça humana, torna-se muito mais difícil a concatenação destas idéias em prol de um objetivo comum.

Acredita-se que um dos fatores responsáveis por esta diversidade de atuações deve-se a não existência, até pouco tempo atrás, de um profissional com atuação específica na área. O primeiro curso com esta característica, o de Engenharia de Alimentos, em Campinas, começou a formar profissionais apenas na década de 70. Aqui mesmo em nossa Universidade, o ICTA foi instituído em 29 de dezembro de 1958, tornando-se o primeiro instituto de pesquisas científicas em alimentos no Brasil, e desde então vinha colaborando na formação de profissionais de Engenharia Química, Química, Agronomia e Farmácia. Somente a partir de 1994 o ICTA iniciou seu primeiro curso de formação regular, de Engenharia de Alimentos.

Como o Engenheiro de Alimentos possui capacitação e habilitação para atuar em praticamente todas as áreas anteriormente abrangidas pelas diversas classes profissionais atuando no setor, com exceção do Nutricionista, que pode atuar na ênfase clínica, é de se esperar, como já acontece na região de Campinas, que estes profissionais passem a dominar o mercado, inclusive da pesquisa, tirando-lhe esta característica tão peculiar e rica.

Outra característica marcante da pesquisa em alimentos é crescimento ocorrido nos últimos anos. Será tomado como parâmetro de comparação o Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia de Alimentos, que sem desconsiderar outros eventos realizados em áreas mais específicas, tais como Microbiologia, Análise de Alimentos, Biotecnologia, etc., é considerado o evento científico mais importante para a área de alimentos. De acordo com os anais dos congresso, em 1994, foram apresentados 420 trabalhos científicos, distribuindo-se nas áreas de Controle de Qualidade (48), Embalagens (10), Engenharia - Processos (76), Métodos Analíticos Aplicados (26), Microbiologia (66), Nutrição e Toxicologia de Alimentos (30), Química e Bioquímica de Alimentos (78) e Outros (96). Já no último congresso realizado recentemente, no Rio de Janeiro, foram selecionados 569 trabalhos, nas áreas de Aditivos/Ingredientes (18), Biotecnologia (35), Controle de Qualidade (110), Engenharia/ Modelagem (19), Métodos Analíticos (21), Microbiologia (69), Nutrição (59), Processamento (109), Propriedades físicas (28), Química e Bioquímica (102).

Também neste aspecto o ICTA segue o padrão estabelecido. No congresso de 1994 não houve nenhum representante da Universidade, já em 1998, foram apresentados 5 trabalhos de pesquisas realizados pelo Instituto, sendo 3 na áreas de Nutrição, 1 de Processamento e 1 de Biotecnologia.

Esta mesma revigoração da pesquisa pode ser percebida internamente, através da participação das pesquisas em alimentos no Salão de Iniciação Científica da Universidade. No mesmo ano de 1994, a área de alimentos (que estava vinculada à área da saúde) participou com 4 trabalhos, sendo 3 do ICTA e um de fora da Universidade.

Neste ano de 1998, existem duas seções específicas para a Ciência e Tecnologia de Alimentos, com a apresentação de 24 trabalhos, sendo 16 da UFRGS e 8 de outras instituições.

A pesquisa acadêmica está normalmente associada a cursos de pós-graduação. Mais uma vez a pesquisa em alimentos distingue-se das demais. Grandes centros de pesquisa, tais como o ITAL, de Campinas, ou o CTAA - Centro Tecnológico de Agroindústria e Alimentos da EMBRAPA, no Rio de Janeiro ou o Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, não possuem qualquer vinculação formal com cursos de pós-graduação. Novamente, o ICTA como bom modelo referencial (não obrigatoriamente positivo), repete o padrão. O Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos é a única unidade dessa Universidade que não possui um curso de pós-graduação. Alguns de seus doutores colaboram com cursos de outras unidades, principalmente com o Curso de Microbiologia Agrícola e do Ambiente, da Faculdade de Agronomia, porém o Instituto não possui nenhum curso próprio, nem a nível de Especialização. No entanto, como pode ser comprovado anteriormente, isto não significa que não se realizem pesquisas de importância. A quase totalidade dos professores está envolvida com pesquisas, a duras penas, pois a baixa titulação e poucas publicações (existem poucos periódicos científicos nacionais e pelas razões já explicitadas a publicação em periódicos internacionais é difícil) dificulta sobremaneira o acesso dos pesquisadores a bolsas e auxílios dos órgãos de fomento, tanto a nível estadual como federal , restando-lhes apenas o apoio (felizmente concedido) interno da Universidade.

Não considerando-se os cursos de pós-graduação de outras áreas, que permitem uma ênfase em alimentos, tal como acontece com o Pós-graduação em Microbiologia Agrícola e do Ambiente desta Universidade, o único curso de Doutorado existente na região Sul é o da Universidade Estadual de Londrina, em Ciência de Alimentos. Existem outros 7 cursos de doutorado em alimentos no Brasil, sendo que 4 deles estão na UNICAMP, inclusive os dois únicos existentes no Brasil, na área de engenharia e tecnologia .

Além de causar transtornos à pesquisa, a falta de cursos de Doutorado, e consequentemente de doutores dificulta, também, a contratação de professores para os cursos de Engenharia de Alimentos, sobretudo para as áreas tecnológicas. Recentemente tivemos que repetir 3 vezes um concurso para Professor Adjunto, sem que conseguíssemos selecionar um candidato, com o que a vaga foi baixada para Professor Assistente.

Ao falar-se em alimentos é difícil não dicotomizar-se em ciência e tecnologia, seja no próprio nome do Instituto, seja na maior congregação científica da área, ou em seu congresso, e até mesmo nos cursos de pós-graduação existentes. Normalmente no primeiro estão incluídas as áreas básicas, tais como microbiologia, bromatologia, etc. enquanto o segundo trata da aplicação destes conhecimentos a produtos. Tradicionalmente os pesquisadores, como decorrência ou causa do que acontece com o ensino, atuam apenas em uma área ou outra, com alguns contatos entre eles. Com as mudanças que vem ocorrendo no setor produtivo e na forma organizacional das empresas, bem como nas novas fronteiras do conhecimento, os limites entre estas duas grandes áreas tendem a diminuir, exigindo um profissional que, mesmo possuindo sua área de especialização, consiga transitar livre e facilmente entre os dois lados desta mesma moeda.

Como ponto final, porém não menos importante, entendo que a pesquisa em qualquer área deve refletir a realidade que a cerca, ou então existe alguma coisa errada com o objeto da pesquisa que está sendo realizada. Assim deve ser com a pesquisa em alimentos.

As previsões de Malthus, que indicavam um crescimento geométrico da população e aritmético da produção de alimentos , felizmente não se concretizaram, e pelo menos sob o aspecto de seus crescimentos descompassados a humanidade conseguiu equacionar o binômio alimentos x população. O grande fantasma da carência mundial de alimentos foi afastado, nunca se produziu tanto, e por diversas razões, a população mundial vem crescendo a níveis bastante menores. Ao lançarmos um olhar generalista sobre as populações mundiais e mais especificamente sobre a brasileira podemos afirmar que o problema da fome está praticamente superado, no entanto, podemos ainda distinguir claramente dois pólos principais de consumo de alimentos. De um lado temos uma grande legião de “sobreviventes”, que se não estão mais fadados a morrer de fome, encontram-se no limiar da desnutrição, sofrendo de doenças não ligadas a carências energéticas ou protéicas, mas de vitaminas e sais minerais. No extremo oposto existe uma população com um alto nível de educação e poder econômico, que tem acesso ao que acontece nos países mais desenvolvidos, e cultiva, consequentemente, os mesmos hábitos de consumo inclusive em relação a sua alimentação, sendo quase tão seletiva quanto eles em relação à qualidade esperada dos produtos a serem consumidos.

No Brasil, e como bom modelo que representa, no ICTA, a pesquisa em alimentos reflete esta situação e divide-se entre estes dois pólos.

De um lado temos uma parcela dos pesquisadores que dedica-se a buscar alternativas de processos, matérias-primas e complementações que possam diminuir o deficit nutricional ainda existente em uma significativa parcela da população, principalmente infantil, a um preço acessível. . Estas pesquisas enquadram-se com as recomendações da Organização Mundial da Saúde que vem enfatizando através das Conferências Mundiais da Saúde a importância dos conhecimentos tradicionais, relacionados com o uso de recursos naturais, principalmente plantas, ervas, condimentos, que constituem indiscutível alicerce na Atenção Primária em Saúde, devendo merecer das autoridades governamentais e das instituições de pesquisa toda a atenção e o investimento possível, inclusive quanto ao resgate de suas raízes e o seu real significado sociocultural e econômico nas diferentes culturas.

O conceito de Atenção Primária em Saúde engloba a questão da qualidade e da quantidade dos alimentos/ segurança alimentar, alcançada através de métodos e tecnologias práticas cientificamente fundamentados e socialmente aceitáveis, postos ao alcance universal dos membros das comunidades, mediante sua plena participação e os custos suportáveis .

Dentro deste conceito temos todos os trabalhos que vem sendo realizados no Instituto com relação a Alternativas Alimentares, principalmente a Multimistura.

Do outro lado, convivendo pacificamente, inclusive ocasionalmente no mesmo pesquisador, existe a busca da satisfação do cliente mais exigente, do processo mais inovador, do colocar-se ao mesmo pé de igualdade aos pesquisadores dos países mais desenvolvidos. Nesta gama encontram-se as pesquisas que transformam o nosso arroz do dia a dia em um produto de preparo quase que instantâneo, com a manutenção de todas suas características sensoriais e nutritivas, pela utilização de equipamentos de última geração, para satisfazer a dona ou dono-de-casa que passa o dia todo trabalhando e não quer desperdiçar seu precioso tempo em um fogão. Temos também as mais inovadoras pesquisas envolvendo a biotecnologia, seja na utilização de microrganismos ou enzimas para a produção de novos produtos, ou no emprego destes mesmos agentes na utilização de substratos do processamento convencional como forma de maior rendimento ou melhoria da produtividade.

Indo ao encontro das novas tendências, que buscam um melhor equilíbrio energético, sem a perda dos atributos sensoriais, temos o desenvolvimento de inovadores produtos “diet”, tão esperados por aqueles que por razões de saúde ou estética viam-se privados de alguns dos prazeres do homem convencional.

Estes dois últimos segmentos da pesquisa realizada pelo ICTA, são também os que vem recebendo o maior destaque tanto na mídia científica e comercial, como nos encontros científicos. A Biotecnologia tem estado ultimamente em voga por sua relação com os recém liberados produtos transgênicos, atualmente presentes, ainda, apenas na forma de sementes, mas que em breve atingirão a produção de alimentos, gerando toda uma nova discussão ético-científico sobre sua adequabilidade e necessidade ou não de informação ao consumidor.

Os alimentos diet e outros de sua natureza, por sua vez, integram a mais nova corrente de desenvolvimento do setor alimentício, que ultrapassaram as fronteiras da simples nutrição como forma de saúde, elevando-os à categoria de quase remédios, que tem recebido a denominação de nutraceuticos. Este novo ramo da ciência e tecnologia de alimentos introduziu novos questionamentos ético-morais, e aproximou os profissionais da saúde a estes das ciências agrárias, tornando cada vez mais complexa e difícil a categorização e classificação destas pesquisas de acordo com os padrões tradicionalmente obedecidos a décadas.

Concluindo, pode-se perceber que tanto contemporaneamente com todos os questionamentos trazidos à tona pelas relações de alimentos com genética, com biotecnologia ou com medicamentos, como pré-historicamente pela utilização dos fenômenos naturais a seu favor, a pesquisa em alimentos, a parte de suas especificidades e idiossincrasias, a exemplo das outras áreas que compõem esta mesa, sempre buscou satisfazer aquela que é uma das necessidades básicas do ser humano, pois como sempre se disse:

“nem só de pão vive o homem”, mas sabe-se

“que sem ele o homem não vive”.

Outubro de 1998

14 de Agosto de 2006

Tabela Brasileira de Composição de Alimentos.

Publicado por Total Food em P & D

O conhecimento da composição dos alimentos consumidos no Brasil é fundamental para o alcance da segurança alimentar no país. Tabelas de composição de alimentos são pilares básicos para educação nutricional, controle da qualidade e segurança dos alimentos, avaliação e adequação da ingestão de nutrientes de indivíduos ou populações. Por meio delas, autoridades de saúde pública podem estabelecer metas nutricionais e guias alimentares que levem a uma dieta mais saudável. Ao mesmo tempo que, forneçam subsídios aos pesquisadores de estudos epidemiológicos que relacionam a dieta com os riscos de doenças ou profissionais que necessitam destas informações para fins clínicos, estes dados podem orientar a agricultura e as indústrias de alimentos no desenvolvimento de novos produtos e apoiar políticas de proteção ao meio ambiente e da biodiversidade. São necessárias também para a rotulagem nutricional a fim de auxiliar consumidores na escolha dos alimentos. Adicionalmente, em um mercado altamente globalizado e competitivo, dados sobre composição de alimentos servem para incentivar a comercialização nacional e internacional de alimentos.
Dados sobre a composição de alimentos consumidos nas diferentes regiões do Brasil fornecem elementos básicos para ações de orientação nutricional baseada em princípios de desenvolvimento local e diversificação da alimentação, em contraposição à massificação de uma dieta monótona e desequilibrada.
Para evitar decisões ou conclusões equivocadas, as tabelas de composição de alimentos precisam ser confiáveis, atualizadas e o mais completas possíveis.
O projeto TACO (Tabela Brasileira de Composição de Alimentos), coordenado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (NEPA) da UNICAMP e com financiamento do Ministério da Saúde – MS e Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à FOME – MDS é uma iniciativa para proporcionar dados de um grande número de nutrientes em alimentos nacionais e regionais obtidos por meio de amostragem representativa e análises realizadas por laboratórios com competência analítica comprovada por estudos interlaboratoriais, segundo critérios internacionais.
Os avanços nas metodologias analíticas, o melhoramento genético tradicional ou moderno de vegetais e animais, as mudanças de hábito da população e os constantes lançamentos de novos produtos no mercado fazem com que a construção de um banco de dados seja um processo dinâmico e contínuo.

Clique aqui para maiores detalhes do projeto TACO

31 de Maio de 2006

Revista do ITAL busca democratizar conhecimento na área de alimentos

Publicado por Total Food em P & D

Brazilian Journal Food Technology disponibiliza artigos de graça na Internet

26/05/2006
Com um conselho editorial composto por pesquisadores de renome de diversas instituições do Brasil e do exterior, a Brazilian Journal Food Technology (BJFT) é uma revista eletrônica do ITAL respeitada entre os pesquisadores que trabalham na área de alimentos e um instrumento de democratização do conhecimento em torno do tema.


Meio e democratização

De 1998, ano da fundação da revista, até 1999, a BJFT era editada em versão impressa. A partir de então, foi feita a opção pela versão para a Internet, com a alternativa da cópia em CD de todas as edições (vendida por 30 reais). O editor executivo da BJFT e pesquisador do Centro de Química, Paulo Carvalho, explica que o formato escolhido, além de ser vantajoso na questão dos custos e seguir uma tendência do mercado de publicações científicas, é uma forma de democratizar o conhecimento.

O acesso gratuito ao conteúdo dos artigos pela Internet é também um importante passo neste sentido. “Um artigo de algumas revistas, para você ter acesso na Internet, custa hoje cerca de 30 dólares. A proposta da revista é ser uma revista livre, de acesso gratuito”, conta. Os custos da publicação são cobertos, em parte, pela contribuição dos autores dos artigos publicados.

A secretária executiva da revista, Yone C. Costa atesta outra vantagem do meio eletrônico para a publicação. “Como nós não temos limitação de espaço, podemos publicar mais de quarenta artigos em um volume”, conta. Assim, o critério para a publicação de um artigo passa a ser quase exclusivamente sua qualidade.

Conselho editorial e público

Segundo Carvalho, a arregimentação do conselho editorial é resultado de um trabalho de muito tempo. “Nós formamos um grupo muito forte de editores, e esses editores conhecem pesquisadores influentes na área dentro e fora do País e nós os convidamos para fazer parte do conselho. E isso ajuda bastante a revista ser reconhecida. Um corpo editorial forte é o primeiro passo para você ter uma revista de boa qualidade”, afirma.

A qualidade é, inclusive, um dos requisitos que ampliou os leitores da revista para além do público-alvo, que é a comunidade cientifica. Segundo Carvalho, a parte de tecnologia, que possui uma aplicação direta e é tema recorrente nos artigos, acaba atraindo profissionais da indústria de alimentos.

Classificação

Aberta às contribuições da comunidade científica especializada em tecnologia de alimentos de 1998 até hoje foram enviados 538 artigos para a secretaria da revista. Yone conta que cerca de 70% dos autores que enviam artigos são de fora do ITAL e a maioria do Brasil, embora sejam recebidos também trabalhos do exterior.

Eles passam, então, por uma rigorosa seleção até chegar àqueles que serão publicados. Os artigos são, assim, classificados em três categorias: artigos originais (trabalhos que contêm resultados finais obtidos em pesquisas inéditas), nota prévia (relatos de resultados parciais obtidas por pesquisas inéditas em andamento) e artigos de revisão (descrevem a evolução cronológica de uma linha de pesquisa, a partir de referências bibliográficas comentadas pelo autor). Carvalho explica que a maior parte dos artigos publicados são os originais, sendo que a publicação das outras duas categorias acontece de acordo com a relevância do tema. Os critérios de avaliação se encontram na página no BJFT.

Planos

Yone e Carvalho contam que a revista passa por algumas reformulações. Um dos objetivos é tornar possível para o autor acompanhar pela Internet todas as etapas a partir do envio de seu trabalho.

Carvalho fala ainda do potencial do Brazilian Journal. “Ela tem tudo para se tornar a principal revista de tecnologia de alimentos do País”, conclui.

Página do BJFTclique aqui

Material produzido pela Assessoria de Comunicação
Foto: Antônio Carriero
Mais informações: 19.3743.1757